terça-feira, 6 de agosto de 2013

Resenha: Quarup.

É um romance extremamente representativo brasileiro, expõem as mazelas de um governo falho e um povo que padece sobre os olhos de quem faz pouco caso e cansados de tanto sofrimento decide lutar pelos seus direitos. Apesar de ter sido escrito entre 1965 e 1966, os problemas que o livro retrata ainda são atuais já que no Brasil o passado não passa e o futuro tarda a chegar.
Mesmo pra quem não sabe muito sobre romances existencialistas, percebe já nas primeiras paginas que esse é um dos livros que fará você questionar o "por que?" de muitas coisas. A grande diferença entre esse romance e outras obras existencialistas é a forma como as questões são abordadas, já que esse livro mostra os dois lados de um assunto com debates feitos entre personagens com opiniões opostas. Não simples personagens, e sim, personagens muito bem elaborados, inteligentes, de opiniões próprias e fortes.
Nando, o personagem principal, inicia o livro como um padre com uma forte ligação com os dogmas da igreja e vai para uma reserva indígena para evangelizar os índios, no primeiro momento Nando se mostra fraco, inseguro em fazer a evangelização ou criar opiniões próprias, entretanto conforme situações em sua vida  vão surgindo, ele vai se modificando e mudando a forma de ver o mundo, é ai que ele vaga por diversas situações, de padre passa a burgues, mulherengo, revolucionário, vitima da ditadura militar, guerrilheiro, ele forma vários pensamentos de acordo com o momento em que ele está vivendo e o que está sentindo, e não são pensamentos fúteis, mas pensamentos em que precisou-se de experiencias reais para que eles fossem formados, como se o personagem realmente tivesse existido e vivido tudo aquilo. 
Um romance muito bem escrito, com personagens inteligentes que crescem ao desenrolar da historia e não se contentam com a condição de vida que lhes são impostas e saem da zona de comodismo para que assim possa haver melhorias, expondo e tentando entender as complexas causas de um país com tantos problemas e porque medidas tão devastadoras como as torturas da ditatura militar são tomadas contra seu proprio povo.
É a obra mais importante de Antonio Callado, chegou até mesmo a ser adaptado para o cinema.


Aline Dantas Toscano.

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